Santa Filomena em Portugal

Festividades em 2026

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10 de agosto

Basílica dos Mártires, Lisboa
Festa de Santa Filomena

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A Basílica de Nossa Senhora dos Mártires, em Lisboa, acolheu, mais uma vez e com profunda alegria e devoção a celebração da Festa de Santa Filomena, que reuniu numerosos fiéis e devotos da jovem mártir.

A celebração contou com uma brilhante alocução do Rev. Cónego Armando Duarte, que disponibilizamos abaixo, em que recordou a especial devoção de São João Maria Vianney, o Santo Cura d’Ars, e da sua amiga Beata Pauline Jaricot a Santa Filomena, apresentando os seus testemunhos como exemplo de confiança na sua poderosa intercessão.

A Santa Missa terminou com a bênção da relíquia de Santa Filomena a todos os fiéis, enquanto entoávamos o belo Hino de Santa Filomena, num momento de particular emoção e profunda devoção.

Foi mais uma celebração marcada pela fé e pela comunhão, na qual os muitos devotos reunidos confiaram a Santa Filomena as suas intenções, os seus pedidos.

Louvada seja Santa Filomena.

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Santa Filomena e São Cura d'Ars

Homilia proferida pelo Rev. Cónego Armando Duarte

Meus irmãos, devotos da Princesinha do Paraíso

A Arquiconfraria Universal de Santa Filomena, podemos defini-la como sendo um movimento internacional de fiéis devotos de Santa Filomena, Virgem e Mártir, que promove o amor a Nosso Senhor Jesus Cristo, a Sua Mãe Santíssima a Virgem Maria e aos Santos Anjos. Fá-lo através dos “centros”, como o nosso “Centro 10”, que, espalhados por muitos países, promovem, de forma organizada, a devoção a Santa Filomena, e fomentam a fraternidade entre os seus devotos, todos eles vinculados àquele mandato de Nossa Senhora aos servos de Caná: “fazei tudo o que Ele vos disser” (Jo 2,6).

Nasceu em França, da piedade e devoção do Padre Louis Petit, um sacerdote francês, que fundou em Paris, no ano de 1884, com a bênção e aprovação Cardeal Giubert, a Obra de Santa Filomena, também conhecida por Confraria de Santa Filomena.

Em reconhecimento da obra do Padre Louis Petit, o Papa Leão XIII, em 24 de setembro de 1889, concedeu-lhe o título e os privilégios de Arquiconfraria. Uns anos mais tarde, a 21 de maio de 1912, ainda em vida do Padre Louis Petit, o Papa São Pio X, fez publicar o Breve Apostólico “Pias Fidelium Societates” que aprovou a extensão da Confraria de Santa Filomena a toda a Igreja, concedendo-lhe o título de Arquiconfraria Universal. Mas antes, em janeiro do mesmo ano, por ocasião da Festa do nascimento de Santa Filomena, o Santo Padre abençoou a Obra de Santa Filomena com as seguintes palavras: “Para os amados membros da Obra de Santa Filomena e devotos do Beato João Maria Vianney, desejo ferverosamente que, por intercessão de Uma ou Outro, o Senhor seja pródigo de graças para todos. Enviamos cordialmente a Bênção Apostólica”.

Na auspiciosa Bênção Apostólica, se fosse hoje concedida, o Santo Padre incluiria, por certo, a Beata Paulina Jaricot. Santa Filomena, Santo Cura d’Ars e Beata Paulina: os nossos intercessores! Este ano, na Festa aniversária da chegada das relíquias de Santa Filomena a Mugnano del Cardinal, em 1805, pretendo falar-vos, não da celestial Princesa, mas destes dois santos seus amigos. Ou melhor, falar dela através deles. "Diz-me com quem andas e eu te direi quem tu és"… Este ditado popular aplica-se muito bem ao que pretendo. Conhecendo melhor Santo Cura d’Ars e a Beata Paulina Jaricot, ficaremos a conhecer ainda melhor Santa Filomena.

João Maria e Paulina Maria tinham em comum o facto de serem contemporâneos e morarem, ele em Dardilly, nas cercanias de Lyon, ela na cidade capital da região alpina do Ródano, situada na confluência dos rios Ródano e Sona. Sendo ambos católicos de muita fé, até talvez se tivessem já cruzado na Catedral de Lyon, a Basílica de Notre-Dame de Fourvière. Porém, o primeiro encontro entre o Padre João Maria Vianney e Paulina Jaricot, ocorreu em 1816. Paulina, então com 17 anos, era filha de um rico comerciante de Lyon, viúvo há anos de sua mãe, a quem Deus chamou era ela uma criança. Costumava convidar os padres da região para almoçar; num desses almoços, o pároco de Écully fez-se acompanhar do seu vigário, o Padre Vianney, de 30 anos. À conversa com Paulina, esta contou-lhe que numa recente visita dos Irmãos de São João de Deus, estes falaram-lhe duma jovem mártir, Santa Filomena, que atraía muitas pessoas e realizava milagres. O túmulo, contendo o seu corpo, encontrado em maio de 1802 nas catacumbas de Santa Priscila, havia sido trasladado de Roma para Mugnano del Cardinal. O Padre Vianney ficou muito interessado, pois nutria grande devoção pelos mártires dos primeiros séculos. Foi assim que começou entre ambos uma amizade espiritual.

Tendo sido nomeado pároco de Ars em 1821, o Padre Vianney continuou próximo dos Jaricot, chegando mesmo a pedir-lhe apoio financeiro… Sempre que “os seus pobres” estavam com fome, o Padre Vianney pedia a quem os pudesse ajudar, e várias vezes isso aconteceu. O pai de Paulina sempre o ajudava, servindo-se dela como intermediária das ofertas. Paulina, depois de em Ars ter conhecido as necessidades daqueles que estavam nas preocupações do sacerdote, em especial as 60 meninas órfãs do orfanato “La Providence”, criado pelo santo Cura, ela própria organizava campanhas para a angariação de fundos. Nessa altura já Paulina decidira dedicar a sua vida ao serviço de Deus e da Igreja, como leiga consagrada. Fê-lo no Natal de 1816 na capela da Virgem de Fourvière, uma capela do século XII integrada na Catedral.

O apelo à santidade alimentado pela devoção a Santa Filomena, o serviço aos mais pobres de maneira organizada e o apostolado, estreitava cada vez mais a amizade entre o Padre Vianney e a Senhora Paulina Maria Jaricot, ajudando-se mutuamente na ascensão a Deus.

Paulina era enfermiça desde criança. Porém, ainda muito nova manifestou-se uma doença cardíaca que permanentemente punha em perigo a sua vida. Apesar da gravidade do seu estado, depois de ter feito uma novena a Santa Filomena, tomou a decisão de, em 1835, ir em peregrinação a Mugnano del Cardinal. Na passagem por Roma, foi recebida pelo Santo Padre. O Papa Gregório XVI a abençoou, manifestou-lhe a sua gratidão pelo seu serviço à Igreja, nomeadamente pela fundação da “Sociedade de Propagação da Fé” e da “Associação do Rosário Vivo”, e elogiou a sua grande coragem e ardente fé. Paulina estava tão depauperada pela doença, que o Papa comentou, em italiano, para uma religiosa que a acompanhava: “Muito doente está esta nossa filha! Dá impressão de que se levantou da sepultura para vir aqui…” A verdade é que chegou ao seu destino, em agosto, na véspera da Festa de Santa Filomena. No dia da festa, Paulina, recebeu a Sagrada Comunhão junto do túmulo de Santa Filomena, tendo, logo de seguida, sido atacada por tão horríveis dores, que desmaiou. Só depois de a levarem para fora do Santuário, recuperou os sentidos. De um momento para o outro, os seus olhos tornaram-se brilhantes, as faces ficaram rosadas e um sopro de vida a regenerou por inteiro... Não foi a morte que bateu à porta de Paulina, foi a vida! Santa Filomena havia curado Paulina!

O reitor do Santuário ao ser informado do sucedido, ordenou que todos os sinos repicassem para anunciar o milagre. Paulina ainda ficou algum tempo em Mugnano; os dias passava-os em conversa “aos pés” da sua celestial benfeitora. No dia da despedida, Paulina tomou consigo a grande relíquia de Santa Filomena oferecida pelo Santuário, e colocou-a dentro de uma imagem da Santa, que revestiu com roupas reais, colocando-a em lugar de honra na carruagem que a transportava, enquanto os fiéis aclamavam a Santa como ‘Princesa do Paraíso’.

Chegada a Roma, o Santo Padre, que ao despedir-se de Paulina não esperava voltar a vê-la, pediu-lhe que ficasse mais um ano em Roma, para que o milagre pudesse ser confirmado com o maior rigor possível. O que de fato aconteceu; a fama de Santa Filomena espalhou-se ainda mais. O Papa Gregório XVI declarou o milagre como sendo de primeira classe, pondo termo às dúvidas que ainda pairavam em torno de Santa Filomena. De imediato foram instituídos para toda a Igreja o ofício e as festas de Santa Filomena, e assim o seu culto à querida santinha se divulgava por toda a parte.

De regresso a França, Paulina foi visitar o seu querido amigo Cura de Ars, a quem contou a sua milagrosa cura. O santo sacerdote sentiu o seu coração abrasar-se de amor por Santa Filomena. Sentiu uma enorme gratidão quando Paulina lhe ofereceu uma parte da relíquia, que trouxera consigo. Imediatamente foi erigida na igreja de Ars uma capela em honra de Santa Filomena. O Padre Vianney consagrou-se por um voto especial a Santa Filomena, passou a considerá-la a sua celeste padroeira. Tudo ele fazia por amor a ela e tudo por ele ela fazia. O Santo Cura de Ars tratava-a por nomes carinhosos e Santa Filomena aparecia-lhe, conversava com ele e tudo lhe concedia.

Um dia, uma mulher veio a Ars com o filho que era paralítico. Esperava na Igreja, mas, mal a avistou, o santo sacerdote chamou-a. A mulher confessou-se, participou na missa e, em seguida, apresentou o filho ao Padre Vianney para que ele o abençoasse. Ele exclamou, “mas ele está grande demais para estar ainda ao teu colo… põe-o no chão" e vai rezar a Santa Filomena. O próprio rapazinho rezou durante uma hora, depois levantou-se e correu para a entrada da igreja, descalço, apenas com as meias que costumava usar. Ao ver que chovia lá fora, pediu uns sapatos para ir brincar com as outras crianças.

Quando o procuravam grandes pecadores, costumava mandá-los ao altar de Santa Filomena para pedirem a sua conversão. Foram muitos e muitos os casos em que isso aconteceu, em que mandadas pelo Cura as pessoas iam até Santa Filomena pedir a graça da conversão. A capela de Santa Filomena era um verdadeiro Santuário de Milagres!

São João Maria Vianney invocava Santa Filomena constantemente e aos que alcançavam graças especiais na sua peregrinação a Ars, sempre dizia: “o que alcançaste foi por intercessão de Santa Filomena”. Já eram muitos aqueles que, vindos de toda a parte, acorriam ao confessionário de São Cura de Ars e às suas catequeses. Agora passaram a ir também para venerar a “santinha”, cujo nome já andava de boca em boca.

Foi em março de 1859 que Paulina Jaricot, então com 59 anos, visitou em Ars, pela última vez, seu amigo padre. O Santo Cura d'Ars faleceu em 4 de agosto de 1859, e Paulina Jaricot morreu três anos depois, em 9 de janeiro de 1862, aos 62 anos. Um foi proclamado o santo padroeiro dos sacerdotes; Paulina, beatificada em 2022 por decisão do Papa Francisco, poderá, um dia, ser proclamada a padroeira dos leigos consagrados para a edificação da Igreja.

Que Deus, através de Santa Filomena e dos seus amigos Santo Cura de Ars e Beata Paulina Maria nos alcance muitas bênçãos neste dia de Festa!

Cónego Armando Duarte
10 de agosto de 2026

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25 de maio

Basílica dos Mártires, Lisboa
Comemoração do encontro dos restos mortais de Santa Filomena

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A 25 de maio, uma segunda feira, na missa das 17h45, Basílica dos Mártires: fez-se memória da descoberta das relíquias de Santa Filomena e da aprovação Pontifícia da Arquiconfraria Universal de Santa Filomena.

As cerimónias, dirigidas pelo Reverendo Cónego Armando Duarte, tiveram transmissão direta através da página do facebook da Basílica dos Mártires.

Por especial deferência do celebrante, transcrevemos o conteúdo da sua omilia:


A Virgem Santíssima e Santa Filomena

Homilia no Aniversário do Achamento das relíquias de Santa Filomena

Irmãs e Irmãos

No dia 24 de maio de 1802, nas catacumbas de Santa Priscila, em Roma, um arqueólogo que trabalhava nas escavações em curso, descobriu ossos que se concluiu serem de uma menina com idade entre os 13 e os 15 anos. O achado foi comunicado a Mons. Ponzetti, então Guardião das Santas Relíquias, que de imediato ordenou a suspensão dos trabalhos. No dia seguinte, 25 de maio de 1802, acompanhado pelo Padre Filipo Ludovici, desceu às catacumbas para assistir à completa abertura da sepultura. Lá, além das ossadas, foram encontrados uma ânfora contendo aquilo que parecia ser sangue seco, e uma palma, símbolos do martírio. A sepultura estava delimitada por três placas com a seguinte inscrição: “Lumena” (a primeira placa); “Paxte” (a segunda placa); “Cumfi” (a terceira placa). Aplicando os critérios usados, a leitura da inscrição era clara: “Filomena, a paz esteja contigo”. Assim, o nome de Filomena foi oficialmente atribuído pela Igreja à menina a quem pertenciam os despojos descobertos que, em 8 de junho de 1805, que Mons. Ponzetti enviou à Diocese de Nola, na Itália.

A comemoração do aniversário da descoberta das relíquias de Santa Filomena, que passou a celebrar-se a 25 de maio, coincide este ano, por ser a segunda feira a seguir ao Pentecostes, com a Memória da “Bem-aventurada Virgem Maria, Mãe da Igreja”. Esta celebração acontece desde 2018 por decisão do Papa Francisco, para nos “recordar que a vida cristã, para crescer, deve ser ancorada no mistério da Cruz, na oblação de Cristo(no convite eucarístico e na Virgem oferente, Mãe do Redentor e dos redimidos". Assim refere o Decreto da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, que determina esta Memória da Virgem Santa Maria.

O evangelho da celebração, que acabámos de escutar, é de São João e narra o "testamento da Cruz" (Jo 19,25-27). Referindo-se a este episódio evangélico, o decreto destaca que a Virgem Maria "aceitou o testamento do amor do seu Filho e acolheu todos os homens, personificados no discípulo amado, como filhos que cuidará como filhos de Deus, tornando-se a amorosa Mãe da Igreja, que Cristo gerou na cruz, entregando o Seu Espírito". "Por sua vez, no discípulo amado, Cristo fez de todos os discípulos herdeiros do Seu amor para com a Mãe, confiando-a a eles para que a acolham com amor filial".

A circunstância referida de se juntarem, na mesma celebração, Nossa Senhora e Santa Filomena, permite-nos refletir um pouco na relação entre ambas.

Se Jesus não fosse verdadeiro Homem e Deus verdadeiro, que sentido teria a veneração à Virgem Santa Maria? Os autores do Novo Testamento e os padres da Igreja nascente vivem focados em Cristo, no Seu ministério, na Sua missão salvífica, na Sua natureza divina e humana.. Porém, a Mãe de Jesus sempre teve um lugar destacado relativamente à generalidade dos discípulos.

A mais antiga referência histórica à devoção mariana vem das catacumbas… As inscrições e a decoração dos túmulos cristãos, onde, não raro, surgem testemunhos de uma grande afeição a Maria, da esperança na sua intercessão e da confiança que advém do lugar que Ela ocupa no Céu. Já no primeiro século da era cristã se começou a representar Maria em afrescos nas paredes das catacumbas romanas: Algumas vezes, a representação é a da Mãe com seu amado Filho; em outras ocasiões, aparece sozinha, as mais das vezes em postura de oração; aparecem ainda representações da Anunciação e na Natividade.

Um dos afrescos mais importantes encontra-se nas catacumbas de Santa Inês, em Roma: Maria aparece de pé entre São Pedro e São Paulo, com os braços estendidos para ambos. A posição proeminente de Maria entre os dois, faz crer a que a Igreja apostólica já a entendia como mãe da Igreja. Na verdade, os primeiros cristãos não reconhecem apenas a existência histórica da Mãe de Jesus, mas reconhecem-na já como protetora e intercessora. Olhando-a como Mãe da Igreja, entendiam que ela estava associada a todos os cristãos, fazendo o que faria qualquer boa mãe, protegendo-os, ensinando-os e ajudando com a sua oração.

Os primeiros textos cristãos, incluindo alguns apócrifos, oferecem provas inequívocas sobre a veneração a Maria. O Protoevangelho de Tiago, escrito no século II, é um dos primeiros textos que faz referência à vida de Maria, descrevendo detalhadamente a sua infância, a consagração no Templo e o anúncio da sua virgindade. Ainda no século II, os padres da Igreja antiga começaram a apresentar Maria como "a nova Eva". São Justino Mártir (+165), o primeiro grande apologeta, usa aquela metáfora descrevendo Maria como a "virgem obediente" em contraposição a Eva, a "virgem desobediente": [O Filho de Deus] tornou-se homem por meio da Virgem, [para] que a desobediência instigada pela serpente pudesse ser destruída da mesma forma que foi originada... Eva, quando era uma virgem incorrupta, acreditou na mentira da serpente dizia; esse engano levou-a à desobediência e à morte. Por seu lado, a Virgem Maria cheia de fé e alegria, acreditou no feliz anúncio do Anjo Grabriel e, pelo Seu "sim", Cristo nasceu. Santo Irineu de Lyon (+202), outro grande defensor da ortodoxia cristã, também escreveu sobre Maria como a nova Eva que participou da obra salvífica de Cristo.

A mais antiga oração a Maria, remonta ao ano 250. É chamada de Sub tuum praesidium: "À vossa proteção nos acolhemos, Santa Mãe de Deus. Não desprezeis as nossas súplicas em nossas necessidades; mas livrai-nos sempre de todos os perigos, ó Virgem gloriosa e bendita. Amem."

Os primeiros cristãos sabiam que a mesma mulher que mimou o Menino Jesus, que O levantava quando caía e que segurou nos seus braços o Seu corpo crucificado, também os podia ajudar nas suas próprias tribulações espirituais e temporais. No período das perseguições do Império, Maria tornou-se, para os cristãos, um importante símbolo de resistência e esperança. A figura da Mãe que sofre pelo Filho crucificado ressoava profundamente entre os que estavam a enfrentar dificuldades. É vista como uma mãe que protege os seus filhos, por isso se recorre à sua intercessão; Aquela que esteve ao lado de Jesus na Paixão, também está presente junto daqueles que estão em provação; Maria é, enfim, um exemplo de força e a resiliência, encorajando os cristãos a permanecerem firmes na sua fé.

Santa Filomena terá nascido e sido martirizada na segunda metade do século terceiro. Na altura, ainda não havia igrejas erigidas em honra da Virgem Maria, ainda não se rezava o Terço, nem havia qualquer dogma mariano definido... Por certo, Filomena não conhecia os apócrifos, nem os escritos de São Justino e de Santo Ireneu; também não sabia de cor o Sub tuum praesidium... Mas amava muito Jesus a quem se havia consagrado. Por isso, no amor a Jesus, experimentava uma grande cumplicidade com Sua Mãe Santíssima. E Nossa Senhora não lhe faltou na provação... Na insalubre masmorra onde durante 40 dias esperou a consumação do Martírio, para ali jogada atada de pés e mãos, Santa Filomena teve a visão de Nossa Senhora com o Menino Jesus em seu colo que lhe disse:

"Minha filha, tu me és mais querida acima de todas, porque trazes o meu nome e o do meu Filho; Chamas-te Lumena; meu Filho e teu Esposo, chama-se Luz, Estrela, Sol; Eu chamo-me Aurora, Estrela, Luz, Sol. Serei o teu amparo. Agora é o momento transitório da fraqueza e da humilhação humanas; quando chegar, porém, a hora extrema do teu julgamento, da tua decisão ante os horríveis tormentos que te serão impostos, receberás a graça da divina força. Além do teu Anjo da Guarda, terás a teu lado o Arcanjo São Gabriel, cujo nome significa "Força do Senhor". Quando eu estava na terra era ele o meu protetor. Mandá-lo-ei agora àquela que é a minha mais querida filha".

A prova provada desta relação única entre Nossa Senhora e Santa Filomena têmo-la nós... Nossa Senhora dos Mártires, que quer por perto todos os seus amigos - entre os quais vós vos encontrais… - não descansou enquanto não trouxe para junto de si, Santa Filomena. Daqui, “a celestial Princesa”, através de nós, irradia para Portugal inteiro a devoção que ela espera dos amigos de Jesus e de Maria.

Depois dos tempos conturbados que, felizmente, já lá vão, "a devoção a Santa Filomena está viva e bem, e os peregrinos chegam em massa ao Santuário [de Mugnano del Cardinal] em certas datas significativas" reconhece o atual bispo de Nola, D. Francesco Marino, numa "Nota Pastoral sob o Culto a Santa Filomena", publicada no passado dia 20 de abril. Tão grande é o fluxo de devotos, que a "marca" Santa Filomena está de novo na moda; por isso estão a surgir um pouco por todo mundo, alguns de forma desordenada, congregações, confrarias e outros grupos que indevidamente se apropriam do nome de Santa Filomena, facto que na referida “Nota Pastoral” se lamenta, exigindo que, quem quer estar com a Igreja no apostolado de Santa Filomena, tenha o reconhecimento canónico da Diocese onde atua.

Sejamos nós, a partir da Basílica dos Mártires, sede espiritual do "Centro 10" da Arquiconfraria Universal de Santa Filomena, secular Instituição Pontifícia, no espírito do Santuário de Mugnano e de acordo com as orientações do bispo Francesco Marino, capazes de fomentar a devoção a Santa Filomena e congregar todos os devotos que o queiram fazer de uma forma organizada. Sabemos que neste apostolado podemos contar com a ajuda de Nossa Senhora… ou não se de Santa Filomena, a Filha querida de Jesus e Maria!

Cónego Armando Duarte
Basílica dos Mártires. 25 de maio de 2026

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10 de janeiro

Basílica dos Mártires, Lisboa
Festa de Natividade e Patrocínio de Santa Filomena

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A 10 de Janeiro celebra-se uma das três festas anuais de Santa Filomena - a festa do seu dia de anos, o Patrocínio de Santa Filomena. Que prenda de anos para a "celestial princesa"? Vamos oferecer-lhe um presente que ela certamente muito vai apreciar... um retrato do São Cura d'Ars, um grande santo e um grande amigo de Santa Filomena que considerava que tudo fazia através da "sua santinha". No próximo sábado, dia 10, na missa das 17h, vamos oferecer a Santa Filomena a prenda de anos. Participe!

Através esta mensagem, o Rev. Cónego Armando Duarte, Prior das paróquias do Chiado (Sacramento e Mártires) em Lisboa e Diretor Espiritual da Arquiconfraria de Santa Filomena em Portugal, dirigiu um convite a todos os fiéis, para a primeira festa anual dedicada a Santa Filomena. Nós os devotos não nos fizemos rogados e de novo estivemos presentes em número elevado e, mais uma vez, enchemos a nave para as orações habituais que antecederam a missa às 17h00 com transmissão direta através da página do facebook da Basílica dos Mártires.

Para além do, habitualmente notável, sermão, outro ponto alto das celebrações foi a bênção do retrato do Santo Cura d'Ars, São João Batista Vianney, o grande divulgador da devoção a Santa Filomena, retrato esse que ficará exposto junto à imagem da sua "pequena santinha".

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