Santa Filomena em Portugal

NOVENA EM HONRA DE NOSSA SENHORA DOS MÁRTIRES

De 4 a 12 de outubro

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NOVENA EM HONRA DE NOSSA SENHORA DOS MÁRTIRES

De 4 a 12 de outubro

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Orações para todos os dias da novena

✞ Pelo sinal da Santa Cruz, ✞ livre-nos Deus nosso Senhor, ✞ dos nossos inimigos. ✞ Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amem.

Oração ao Divino Espírito Santo

Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis
e acendei neles o fogo do vosso Amor.
V/. Enviai o vosso Espírito e tudo será criado.
R/. E renovareis a face da terra.


Oremos: Ó Deus, que instruístes os corações dos vossos fiéis com a luz do Espírito Santo, concedei-nos, segundo o mesmo Espírito, conhecer as coisas retas e gozar sempre das Suas consolações. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo. Amem.

Oração para todos os dias

Ó Deus, eterno e onipotente, Criador dos Céus e da terra, que tendes em vossas mãos o destino de todos os povos e nações; a nós, que nos preparamos para celebrar a Festa de Nossa Senhora dos Mártires, fazei-nos experimentar a presença da Virgem Santa Maria, por Vós escolhida para d'Ela nascer Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho. Gratos por tão excelente protetora, desejamos ardentemente que Ela nos ensine como Mestra e nos eduque como Mãe. Dai-nos, Senhor, a graça de um arrependimento sincero, para que, vencendo as trevas e curadas as feridas dos nossos pecados, possamos celebrar a Festa da nossa Rainha e Senhora com um coração purificado. E assim, fazendo agora na condição de peregrinos esta novena em honra da excelsa Virgem, A possamos louvar, por vossa imensa misericórdia, na glória dos Céus, pelos séculos sem fim. Amem.s


Recitação do terço

Para alcançar a Indulgência plenária

Creio em Deus Pai, todo-poderoso, Criador do Céu e da Terra; e em Jesus Cristo, Seu único Filho, Nosso Senhor, o qual foi concebido pelo poder do Espírito Santo; nasceu da Virgem Maria; padeceu sob Pôncio Pilatos; foi crucificado, morto e sepultado; desceu aos infernos; ao terceiro dia ressuscitou dos mortos; subiu ao Céu; está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso; donde há de vir a julgar os vivos e os mortos. Creio no Espírito Santo; na santa Igreja Católica; na comunhão dos Santos; na remissão dos pecados; na ressurreição da carne; na vida eterna. Amem.


Pelo Papa, pelo Patriarca de Lisboa e pelas necessidades da Igreja:
Pai Nosso, Ave-Maria, Glória


Pela Paz no mundo:
Pai Nosso, Ave-Maria, Glória


Pelas benditas almas do purgatório:
Pai Nosso, Ave-Maria, Glória
V/. Dai-lhes, Senhor, o eterno descanso,
R/. nos esplendores da luz perpétua.
Amem.

Oração final

Ó amorosíssima Senhora dos Mártires, Vós sois o abrigo, o refúgio e a consolação de vossos filhos, em suas necessidades. Esta cidade, a quem restituístes uma vivência cristã, o testemunha; como o testemunham todos aqueles que a Vós recorrem, e a quem Vos revelais como terna Mãe e singular protetora; nós, vossos filhos, prostrados junto desta vossa sagrada imagem, colocamos em vosso regaço as nossas orações, e Vos rogamos que escuteis as nossas preces e as apresenteis ao vosso Divino Filho, pelo que invocamos o vosso gloriosíssimo título de Nossa Senhora dos Mártires com o sincero desejo de Vos servir e amar. Amem.

Meditações, considerandos e propósitos para cada dia da novena

Primeiro dia icon-mostrar-texto.png icon-ocultar-texto


O grande Afonso, nosso primeiro Rei, desejava conquistar a cidade Lisboa aos mouros para a tornar capital de um reino cristão neste lugar mais ocidental da Europa, a fim de consolidar a presença da Igreja. Quando nisto meditava, eis que viu surgir do vasto oceano a verdadeira Estrela do Mar, Maria Santíssima. Uma Sua imagem “comandava” a armada dos cruzados ingleses que, juntamente com outros, alemães e franceses, vieram ajudar o nosso piedoso monarca a concretizar o seu projeto. D. Afonso Henriques logo deu a vitória como certa, quando se apercebeu estar a Armada entregue aos maternais cuidados da terna Mãe de Jesus e nossa Mãe, tornada presente naquela sagrada imagem que ia na frente, transportada naquele navio vistosamente engalanado.

Considerai, neste primeiro dia da novena, os meios admiráveis de que a Providência se serve para socorrer os que nela põem a sua confiança. A Deus, que dispõe todas as coisas para o bem daqueles que O amam, seja dada toda a honra e glória! Com filial devoção, beijai as mãos de Maria Santíssima, nossa preclara protetora; pedi-Lhe as graças necessárias para que leveis de vencida os inimigos, e alcanceis um dia a coroa do triunfo.

Segundo dia icon-mostrar-texto.png icon-ocultar-texto


Os cruzados, instrumento de que Deus Se serviu para auxiliar o nosso primeiro rei na conquista da cidade de Lisboa aos mouros, ancoraram as naus e, trazendo consigo a sagrada imagem, desembarcaram em Lisboa, assentando arraiais onde hoje se ergue o mosteiro de São Vicente de Fora; este local, onde prestamos culto a Nossa Senhora dos Mártires, foi ocupado pela Divisão dos Portugueses. D. Afonso Henriques, cheio de confiança na proteção da Santíssima Virgem, com o consentimento do lendário Guilherme da Longa Espada, comandante dos Cruzados ingleses, ali mesmo fez o voto de erigir em honra da Virgem Maria um templo que aos vindouros patenteasse a sua gratidão pela vitória que iria alcançar graças à intercessão da soberana protetora.

Considerai, neste segundo dia da novena, tão sublime exemplo e tirai dele precioso ensinamento: cultivai a filial confiança na Santíssima Virgem. Quem a Ela recorre e se entrega, terá sempre ânimo e força para não se deixar vencer pelos inimigos internos e externos, espirituais e corporais, por mais poderosos que sejam, não caindo nas suas ardilosas ciladas e alcançando assim a salvação eterna. Assim seja.

Terceiro dia icon-mostrar-texto.png icon-ocultar-texto


Permite Deus Nosso Senhor, não raras vezes, que os Seus amigos passem por grandes provações. Assim aconteceu com D. Afonso Henriques… Já montados os arraiais, quando planificava o grande ataque para a conquista de Lisboa, foi informado que um reforço considerável de mouros avançava pelo lado de Sacavém, com o intuito de se juntarem aos irmãos de armas que estavam acantonados dentro das muralhas do castelo. Em vez de se amedrontar com tão inesperada notícia, o nosso piedoso monarca considerou-a como um aviso do Céu… Saiu ao encontro do inimigo, e com tanta valentia atacou, que a ameaça foi desbaratada. O nosso primeiro rei reconheceu no feliz desfecho deste primeiro combate um sinal da proteção visível da Santíssima Virgem; e, em solene testemunho da sua gratidão, mandou naquele local edificar uma pequena ermida em honra da Santa Maria, depois de Deus, o único garante da nossa esperança.

Considerai o bom exemplo do primeiro monarca da nossa querida pátria, e tirai dele os bons propósitos para este terceiro dia da novena: primeiro, a confiança na mediação de Maria Santíssima por quem sempre se alcançam de Deus os benefícios necessários; segundo, o dever de não adiardes as manifestações de reconhecimento a Deus e à Sua Mãe Santíssima, para Sua Glória e para vosso proveito espiritual. Assim seja.

Quarto Dia icon-mostrar-texto.png icon-ocultar-texto


Ninguém, forte ou fraco, se pode opor aos exércitos d’Aquele que tem todo o poder! Quis Ele que as muralhas de Lisboa, que pareciam intransponíveis, se vergassem à destreza das armas dos cristãos e sobre elas passasse a tremular gloriosamente a bandeira das sagradas quinas. Os bravos soldados do exército português e seus aliados vindos de outros países da Europa, foram soberanamente protegidos pela puríssima Mãe de Jesus até à conquista daquela que passou a ser a capital dos portugueses, cujas portas lhes foram abertas no dia 25 de outubro de 1147, quatro dias depois da rendição do governador muçulmano. Dia memorável em que, após ter entrado nesta cidade, o exército vencedor se prostrou piedosamente diante da sagrada imagem, a mesma Senhora que nós hoje veneramos nesta Basílica; todos à uma, a saudaram agradecidos, clamando: Tu és a glória de Lisboa, a alegria dos seus habitantes e a honra do povo português!

Considerai, pois, a devoção e o afeto com que os nossos antepassados louvavam a Santíssima Virgem, e Lhe agradeceram os Seus favores. Como propósito deste quarto dia da Novena, tal como os nossos bravos e ilustres antepassados, recorrei a esta boa Mãe e Senhora nossa, pedi-Lhe e procurai merecer o Seu auxílio através da prática de boas obras, porque Maria Santíssima é para os fiéis de cada geração a Mãe solícita dada aos homens, do alto da Cruz, por Jesus Cristo. Assim seja.

Quinto dia icon-mostrar-texto.png icon-ocultar-texto


Libertada a cidade de Lisboa do jugo muçulmano graças à poderosa proteção de Maria Santíssima, D. Afonso Henriques logo procurou o bem-estar daqueles valentes Cruzados que combateram a seu lado, auxiliando-o a alcançar tão importante vitória. Tendo tratado dos vivos, não esqueceu os mortos, destinando um lugar digno onde pudessem ser sepultados aqueles a quem a piedade popular já chamava mártires, testemunhas da fé, por terem derramado o seu sangue para que Lisboa viesse a tornar uma cidade cristã, capital de um reino cristão. Ao venerável Arcebispo de Braga, que permaneceu junto do Rei desde o início da campanha, foi pedido que benzesse dois terrenos destinados a cemitério: um na parte oriental desta cidade, onde depois se edificou o templo dedicado ao glorioso Mártir São Vicente; o outro, nesta parte ocidental, onde já se venerava a sagrada imagem e onde foi edificada esta nossa igreja. Em torno da pequena ermida, solar de Nossa Senhora, já com o título de Nossa Senhora dos Mártires, construíram-se umas pequenas celas para habitação de vários monges ingleses, entre eles o venerável Gilberto, enviados para Lisboa com a missão de louvar a Mãe de Deus e propagar o Seu culto.

Considerai, pois, o procedimento do nosso piedoso monarca que, com o seu exemplo, ensinou aquilo que podem ser propósitos para este quinto dia da Novena: primeiro, a piedade que vos devem merecer os defuntos, dando-lhes honrosa sepultura; segundo, a devoção à Santíssima Virgem, que deve ser exercitada através da oração assídua, feita com um coração puro e livre de toda a maldade. Assim seja.

Sexto dia icon-mostrar-texto.png icon-ocultar-texto


D. Afonso Henriques, um homem grato, não demorou muito tempo a dar cumprimento ao voto que, em momento de grande aflição, fizera à Santíssima Virgem: erguer um templo mais espaçoso para lá ser venerada a sagrada imagem de Nossa Senhora dos Mártires. Edificou-o ali perto do lugar onde estavam sepultados os homens que haviam tombado em defesa da Fé, na conquista de Lisboa. Templo magnífico, santificado pela Presença Real de Cristo na Santíssima Eucaristia e engrandecido com a sagrada imagem de Sua Mãe, Nossa Senhora. Os muitos terramotos que se fizeram sentir por diversas ocasiões nesta cidade, por mais de uma vez o danificaram. Tantas vezes quantos os terramotos, foi reparado ou reconstruído. A última reconstrução foi concluída a 18 de março de 1774, esta mesma basílica onde nos encontramos e onde veneramos a sagrada imagem, na qual a nossa Mãe do Céu se torna presente para acolher as nossas súplicas e as apresentar ao seu Divino Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo. Quem A invocar em suas aflições, logo experimenta remédio para os seus males, tanto espirituais, como físicos.

Considerai bem estas verdades e alcançareis como fruto desta meditação do sexto dia da novena, primeiro: o dever de prontamente cumprirdes todos os votos e promessas; segundo: deveis dar continuidade à obra do piedoso monarca, conservando e enriquecendo esta Basílica com o vosso trabalho e as vossas esmolas, e não a profanando jamais com irreverências ou falta de modéstia no vestir, antes sim, entrando nela revestidos de um santo temor e respeito, lembrados da recomendação de Deus a Moisés: "o lugar onde estás é terra sagrada". Assim seja.

Sétimo dia icon-mostrar-texto.png icon-ocultar-texto


É tão adequado o título de Nossa Senhora dos Mártires, que Ela dele muito se agrada. À maneira dos cristãos dos primeiros séculos que prestavam culto e recorriam à intercessão dos mártires, aqueles que morriam testemunhando a sua fé em Nosso Senhor Jesus Cristo, também o povo de Lisboa passou a ter grande devoção aos seus mártires, aqueles que na conquista de Lisboa aos mouros, com o sacrifício de suas vidas, combateram pela dilatação do reinado de Cristo. O Papa Urbano VI honrou esta nossa igreja dando-lhe o título de Basílica de Santa Maria junto aos Mártires. Este título - Nossa Senhora dos Mártires ou Santa Maria dos Mártires – também por outras razões Lhe é sumamente apropriado: porque Ela é a Mãe Santíssima do Mártir por excelência, Nosso Senhor Jesus Cristo, Deus verdadeiro e Homem verdadeiro; por isso, como considera São Bernardo, Ela é mais do que mártir, porque na Sua alma sofreu todos os tormentos da Paixão de Seu Filho, tendo o ímpio golpe de lança que trespassou o Lado de Jesus, que o Filho morto já não sentiu, atingido com lancinante dor o coração imaculado da Mãe; é Rainha dos Mártires, como A invoca a Santa Igreja, porque é a fortaleza dos santos Mártires em seus combates, porque é a consoladora dos que sofrem para anunciar o Evangelho, e, no seu martírio, encontram verdadeiro amparo e abrigo nesta terna Mãe; é, finalmente, Rainha dos Mártires porque, assim como Seu Divino Filho, para alcançar a nossa Redenção, sofreu tantos tormentos até à morte de Cruz, assim também esta Mãe da Piedade, como é convicção unânime dos Padres da Igreja, daria a própria vida para nossa salvação.

Considerai, pois, neste sétimo dia da novena: sendo tão grato a Maria Santíssima, por tantos motivos, o título de Nossa Senhora dos Mártires, crucificai a vossa carne, com todos os vossos vícios, na Cruz de Cristo, para que saindo vencedores neste combate, possais um dia gozar a coroa dos vossos merecimentos na glória. Assim seja.

Oitavo dia icon-mostrar-texto.png icon-ocultar-texto


Este belo templo consagrado a Nossa Senhora dos Mártires tem sido, em todos os tempos, e ainda em nossos dias, considerado e procurado como de santa devoção. Foi aqui instituída a primeira Paróquia de Lisboa, logo após a sua conquista; e neste batistério se administrou o primeiro Batismo a seguir à providencial vitória consumada em 25 de outubro de 1147. O venerável Frei Gilberto Hastings foi o primeiro Prior desta Paróquia, tendo sido zeloso guardião desta imagem e fiel condutor do povo que aqui se reunia aos monges ingleses para com eles cantar os louvores à Mãe do Céu. Sendo depois elevado à dignidade de Arcebispo de Lisboa, nem por isso deixou a companhia d'Aquela boa Mãe que aos cristãos tinha livrado de tantos perigos e concedido tantas vitórias; e aqui permaneceu, habitando a mesma cela, donde governava a porção de povo que lhe foi confiada, até que faleceu e foi gozar o digno prémio de suas virtudes na presença de Deus.

Considerai, pois, vós que visitais esta Basílica no oitavo dia da novena, estes honrosos privilégios. Procurai, aqui, neste templo, purificar as vossas consciências e curar-vos das vossas enfermidades espirituais, banhando-vos na sagrada piscina do sacramento da Penitência; arrependidos, confessai os vossos pecados, aproximai-vos da mesa da sagrada Comunhão, rezai pela Paz, pelo bem-estar da santa Igreja e pelas intenções do Sumo Pontífice, proclamai o Credo da nossa fé; alcançareis assim a indulgência que a Igreja, nossa mãe, vos oferece se, nas condições previstas, peregrinardes a esta Basílica, para que, libertos também das penas que mereceis por vossos pecados, poderdes gozar, logo após a morte, o prémio da bem-aventurança eterna. Assim seja.

Nono dia icon-mostrar-texto.png icon-ocultar-texto


Tão grandes são os benefícios alcançados pelo povo de Lisboa através da intercessão de Nossa Senhora dos Mártires, que este A tem por especial protetora e a Ela recorre em todos os seus trabalhos e aflições. Na verdade, haverá alguém que, implorando-Lhe auxílio, o não tenha logo alcançado? Por isso, toda a cidade concorre para o esplendor da celebração da Festa em honra de Nossa Senhora dos Mártires. Quotidianamente, homens e mulheres piedosos, oferecem esmolas e pedem que nesta igreja, diante da sagrada imagem, sejam celebradas de missas de sufrágio pelos seus defuntos, para que estes sejam, pelas mãos da Rainha e Senhora dos Mártires, Medianeira de todas as graças, levados à presença de Deus infinitamente misericordioso e cheio de compaixão.

Considerai, pois, neste último dia da novena, o exemplo destes gestos de devoção e reconhecimento à nossa Soberana Mãe. Quem já experimentou a Sua solicitude materna, vive na profunda convicção de ser moralmente impossível a condenação eterna de um verdadeiro devoto de Maria Santíssima. Bendizei-A a todo o momento, para que a própria Virgem Santíssima vos receba após a morte e triunfalmente vos conduza à Jerusalém Celeste. Assim seja.


Cónego Armando Duarte
Adaptação da “Secular Novena”
Basílica dos Mártires, Festa dos Anjos da Guarda, 2021