Santa Filomena em Portugal

Partilha do Diretor Espiritual

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14º Domingo do Tempo Comum – Ano A 2026


Ideia principal: Aos prepotentes, orgulhosos e arrogantes, Deus não elege nem envia como instrumentos do Seu projeto de vida plena, porque vivem “segundo a carne”. Deus revela-se na pobreza, na humildade, na simplicidade, isto é, aos que vivem comprometidos com Jesus desde o batismo a viverem “segundo o Espírito”. Estes estão abertos ao chamamento de Deus, a fazerem a Sua vontade. Só estes aceitam acolher as propostas de Deus e procuram viver de acordo com elas.


LEITURA I – Profecia de Zacarias 9, 9-10


Eis o que diz o Senhor: "Exulta de alegria, filha de Sião. […] Eis o teu Rei, justo e salvador,
que vem ao teu encontro, humildemente montado num jumentinho, filho duma jumenta. […] Anunciará
a paz às nações: o seu domínio irá de um mar ao outro mar e do Rio até aos confins da terra”.


- Os capítulos 9-11 de Zacarias formam um conjunto bastante coerente, escritos em verso e proclamados numa situação histórica precisa, após a vitória de Alexandre da Macedónia, em Issos (333 a.C.), quando o povo de Deus esteve sob domínio helénico. Este imperador, seria ele o Messias? Que outro “messias” poderia competir com ele? Um Messias justo, vitorioso e humilde (cf. vs 9-10), ser-nos-á dado.

- Os sonhos dos reis de Israel sempre foram de grandeza temporal. Mas Deus quer pôr fim a estas manias de poder e de grandeza. A profecia de Zacarias vai ao encontro daquilo que Deus quer… o rei salvador entrará em Jerusalém “humildemente montado num jumentinho, filho de uma jumenta” (v.9). Inverte mesmo o conceito de realeza: o soberano não submete os fracos, antes se coloca ao seu serviço (cf. v.10).

- A obra deste rei humilde e pacífico será, por um lado, a unificação entre Efraim e Jerusalém, e, por outro, o estabelecimento da paz universal (shalom): o seu "reino" irá "de um mar ao outro mar" e do "rio (Eufrates) até aos confins da terra", isto é, abarcará os limites do mundo antigo. Jesus, ao entrar em Jerusalém montado num jumento, mostra ser Ele o rei pacífico e salvador anunciado por Zacarias.


LEITURA II – Epístola de São Paulo aos Romanos 8, 9.11-13


Irmãos: Se o Espírito d’Aquele que ressuscitou Jesus de entre os mortos
habita em vós, Ele, que ressuscitou Cristo Jesus de entre os mortos,
também dará vida aos vossos corpos mortais […]. Se viverdes segundo a carne, morrereis;
mas, se pelo Espírito fizerdes morrer as obras da carne, vivereis.


- Na perspetiva de Paulo, a salvação é dom de Deus ao alcance de todos, que nos chega por Jesus, pela Sua entrega, morte e ressurreição, e atua em nós pelo Espírito Santo, que faz de nós filhos de Deus. Estes temas paulinos, centrais na teologia do Apóstolo, cruzam-se neste capítulo VIII de onde é extraída a Leitura deste domingo. A vida no Espírito aparece como o elemento fundamental que dá unidade a toda esta reflexão.

- Quando Paulo refere a “carne”, não o faz para designar a parte material do ser humano (como em Platão); nem, como acontece muitas vezes, tanto no A.T. como no N.T., para referir a fragilidade e a precaridade da natureza humana; mas para definir o homem ferido pelo pecado original, dominado por apetites e paixões desornadas. A vida nova “por meio do Espírito” de Cristo é inconciliável com a “vida sob o domínio da carne”. Aliás, Paulo adverte: “se viverdes de acordo com a carne, haveis de morrer”.

- Jesus, sendo homem, tinha que morrer. Mas, porque tinha em Si a plenitude do Espírito, Ele O fez viver a vida de Deus, que não morre. Ora, se nós recebemos o mesmo Espírito, no final dos tempos, o Espírito que ressuscitou Jesus, nos ressuscitará. Se, pelo Espírito Santo, Jesus vive em nós, não morreremos!


EVANGELHO – Mateus 11, 25-30


Naquele tempo, Jesus exclamou: “Eu Te bendigo, ó Pai, Senhor do céu e da terra,
porque escondeste estas verdades aos sábios e inteligentes e as revelaste aos pequeninos.
[…] Ninguém conhece o Filho senão o Pai e ninguém conhece o Pai
senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar.
Vinde a Mim… […] Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de Mim, […]
e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e a minha carga é leve”.


- O Evangelho deste Domingo é o epílogo de uma secção carregada de tensões e polémicas, na qual S. Mateus transmite a reação de alguns face à pessoa de Jesus e à Sua proposta do “Reino” (cf. Mt 11,2-12,50). Com frequência os evangelistas nos falam da oração Jesus, porém o conteúdo da Sua oração fica no segredo. Há exceções, como na passagem de hoje. E há outras… Mt 26,39.42; Mt 27,46; Lc 23,34; Lc 23,46. O Pai Nosso, a oração que Jesu nos ensinou, ao contrário das orações referidas, não o ouvimos Jesus rezar.

- Para os fariseus e doutores da Lei – os sábios e os inteligentes – a Lei era uma espécie de “linha direta” para o conhecimento de Deus. Porém, ninguém conhece o Pai senão o Filho que O pode revelar a quem Ele quiser e, como os pequeninos – ao contrário dos soberbos - estiverem abertos a essa revelação.

- Vinde a Mim! Aprendei de Mim… Com Jesus, como Jesus. Dá-se… aprendeu do Pai que tudo Lhe deu! Santo Agostinho lembra-nos que as asas dos passarinhos têm peso, mas são as asas que lhes permitem voar. As exigências de Jesus são pesadas; porém, rejeitando-as, não poderíamos voar!


Rezar a Palavra


Pai Santo, Senhor do céu e da terra, eu Vos louvo e bendigo porque, apesar da minha soberba, permitis que a minha alma se deixe fascinar pela vossa sabedoria eterna… Para Vos revelardes aos homens dando-lhes a conhecer “estas coisas escondidas”, nos enviastes o vosso Filho, Jesus. Suplico-Vos, ó Pai: dai-me um coração de criança, puro e transparente, capaz de intuir os vossos desígnios admiráveis. Amem


Cónego Armando Duarte
5 de julho de 2026

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