15º Domingo do Tempo Comum – Ano A 2026
Ideia principal: Qualquer uma das 3 leituras que escutamos na Liturgia da Palavra deste domingo, aponta para a importância da Palavra de Deus e para a centralidade que ela deve assumir na vida dos crentes. Estamos em plena novena de preparação para a Festa de Nossa Senhora do Carmo, que ocorre na próxima quinta feira, dia 16. Nem de propósito: Maria Santíssima, Mãe e da Igreja e modelo do discípulo, vive da Palavra que Se fez Carne no Seu seio virginal. Seguir o Seu exemplo, é condição para viver “segundo o Espírito” e, vivendo assim, ajudar a construir o “novo céu e a nova terra” com que sonhamos.
LEITURA I – Profecia de Isaías 55,10-11
Eis o que diz o Senhor: "Assim como a chuva e a neve que descem do céu não voltam para lá
sem terem regado a terra, […] assim a palavra que sai da minha boca não volta sem ter produzido o seu efeito, sem ter cumprido a minha vontade, sem ter realizado a sua missão".
- Se excluirmos os cânticos do Servo de Jahwéh, o “Livro da Consolação” do Deutero-Isaías (caps 40 a 55 de Isaías), é conjunto de exortações, cheias de otimismo, exortando à esperança o povo amargurado e desiludido, no exílio da Babilónia. Já na parte final, onde se situam os dois versículos de hoje sobre “a Palavra que sai da minha boca”, há um apelo à fé e à conversão, já que a fidelidade de Deus é para sempre.
- Não se trata, propriamente, de uma declaração de princípio sobre a eficácia da Palavra de Deus… porém, face às dúvidas dos exilados, o profeta lembra a fidelidade do Deus de Israel às Suas promessas. A maldade humana pode retardar, mas jamais anular o projeto de Deus. A Palavra, permite ao homem esperar contra toda a esperança (cf. Rm 4,18), aponta o caminho a percorrer e dá-nos o ânimo para intervir no mundo.
- A Palavra de Deus é como a chuva e como a neve… possuem um dinamismo irresistível, uma energia que fecunda e faz crescer. Uma imagem que, tal como a do lento crescimento da semente que o agricultor lança à terra, são convite a não esperar resultados imediatos. É preciso ter paciência, dar tempo ao tempo, e, sobretudo, uma confiança inabalável na força vivificante da Palavra que sai da boca de Deus.
LEITURA II – Epístola aos Romanos 8, 18-23
Irmãos: Sabemos que toda a criatura geme ainda agora e sofre as dores da maternidade.
E não só ela, mas também nós, que possuímos as primícias do Espírito,
gememos interiormente, esperando a adoção filial e a libertação do nosso corpo.
- A harmonia inicial ficou irreconhecível: não apenas o homem, mas também as outras criaturas, “gemem interiormente”, por causa “da corrupção que escraviza”. Esta situação da criação deve-se ao homem, certamente, ao mau uso que faz das criaturas, usando mal o poder que Deus lhe deu para as dominar. Mas também a Deus que, após o pecado, dispôs a natureza de forma a punir o homem pecador.
- O texto da carta aos Romanos que hoje escutamos, aborda um tema recorrente na Bíblia: a solidariedade entre o homem, os outros animais e a natureza (cf. Gn 9,12-13; Col 1,20; Ap 21,1-15). Todas as criaturas aguardam que o homem escolha a vida “segundo o Espírito”, que supõe a renúncia a interesses mesquinhos e o dom da própria vida. São “as dores do parto”, condição para o nascimento de uma nova vida.
- Este é o convite de São Paulo: perceber que as dores que fazem a criação gemer, não são as dores de um moribundo; antes são as dores que provocam o grito da mulher que vai dar à luz. Os cristãos são sensíveis à desordem que vai na “nossa casa comum”, mas não desesperam… Não obstante os sinais preocupantes, a razão da nossa esperança está na eficácia da Palavra de Deus, capaz de fazer novas todas as coisas.
EVANGELHO – Mateus 13,1-23
Naquele dia, Jesus saiu de casa e foi sentar-Se à beira-mar[…].
Disse muitas coisas em parábolas, nestes termos:
“Saiu o semeador a semear. Quando semeava, caíram algumas sementes ao longo do caminho […].
Outras caíram em sítios pedregosos, onde não havia muita terra […]
Outras caíram entre espinhos e os espinhos cresceram e afogaram-nas […].
Outras caíram em boa terra e deram fruto: umas, cem; outras, sessenta; outras, trinta por um.
Quem tem ouvidos, oiça”. Os discípulos […] disseram-Lhe: “Porque lhes falas em parábolas?”
- Entramos hoje, e assim será durante mais dois domingos, no terceiro dos 5 discursos que estruturam o evangelho de São Mateus: o discurso das Parábolas do Reino. As parábolas são próprias da tradição rabínica e fazem parte da linguagem dos povos da região que recorre com frequência a uma imagem ou comparação, através da qual se ilustra uma determinada mensagem ou ensinamento.
- Nos dois anteriores discursos, Jesus não falou em parábolas. Face aos ensinamentos de Jesus, muitos dos ouvintes fizeram-se desentendidos ou não entenderam mesmo… As parábolas são linguagem sugestiva, clara, concreta, interpeladora… Tornam tudo claro, não dá para não perceber… separam “as águas” entre os que entendem a proposta do Reino e aqueles que as não querem entender ou não a entendem.
- A parábola do semeador refere-se à inevitável erupção do “Reino”, não pela qualidade do “belo” terreno, mas pela abundância com que a semente é lançada. Deus é assim! a futilidade, os falsos valores que marcam a vida de muitos homens e mulheres do nosso tempo, é uma triste realidade. Porém, o ‘Reino’ é uma realidade imparável; e o resultado final será algo de surpreendente, de maravilhoso, de inimaginável”.
Rezar a Palavra
Como o semeador, que confiando no sucesso da colheita, lança a semente com abundância, assim Vós, ó Deus, confiais em Israel e até pondes “água na fervura” de tanta impaciência e desalento dos exilados da Babilónia. Assim me suportais nesta correria louca da minha vida. A vossa Palavra, Senhor, é água bendita caída do Céu que, pouco a pouco, vence resistências e fecunda o meu coração. Louvado sejais! Amem.
Cónego Armando Duarte
12 de julho de 2026