Santa Filomena em Portugal

Palavra Dominical - Partilha do Diretor Espiritual

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17º Domingo do Tempo Comum – Ano A 2026


Ideia principal: O discípulo constrói a sua casa na rocha firme, isto é, sobre os valores propostos por Jesus. Quais são as nossas prioridades? Estamos determinados em prosseguir os valores, antes do mais pedindo-os a Deus na oração, com a humildade de Salomão? Jesus é o “tesouro escondido”, “a pérola” de grande valor. Viver n’Ele, com Ele e por Ele, é único necessário para, desde já, podermos experimentar Seu Reino.


LEITURA I – 1º Livro dos Reis 3,5.7-12


O Senhor apareceu em sonhos a Salomão durante a noite e disse-lhe: "Pede o que quiseres".
Salomão respondeu: […] ", Dai ao vosso servo um coração inteligente, para saber distinguir
o bem do mal”.[…] Agradou ao Senhor esta súplica de Salomão e disse-lhe:
”[…] Dou-te um coração sábio e esclarecido, como nunca houve antes de ti nem haverá depois de ti".


- A 1ª leitura é um excerto do 1º Livro dos Reis que, nos primeiros 10 capítulos, apresenta Salomão como o rei sábio (3,1-5,15), construtor (5,15-9,25) e comerciante (9,26-10,29). Sucedeu ao rei David, seu pai, que morreu no ano 972 a.C.. Tem consciência das suas responsabilidades, mas, devido à sua juventude, reconhece que é inexperiente. É a Jahwéh, que elegeu o Povo do qual ele é rei, que Salomão quer obedecer.

- Dirige-se a Gabaon, hoje designado por El-Gib, localidade nas redondezas de Jerusalém, onde se situava um importante “lugar alto” (santuário), para pedir a Deus o que precisa para o desempenho da sua função real: a sabedoria. Deus respondeu generosamente à oração de Salomão… já que o jovem rei não pediu vantagens de natureza temporal, deu-lhe um coração sábio, a fim de fazer escolhas acertadas.

- Mas Deus não se fica pelo que pedimos… A Salomão deu-lhe inteligência e sabedoria e, por acréscimo, riquezas e glória que fizeram dele um rei sem igual… Organizou o território legado por seu pai David, dotou-o de grandes construções, entre elas o Templo de Jerusalém, fortificou cidades, incrementou as trocas culturais e comerciais com os outros países, incentivou e apoiou a cultura e as artes.


LEITURA II – Epístola de São Paulo aos Romanos 8, 28-30


Nós sabemos que Deus concorre em tudo para o bem daqueles que O amam, […]
para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que Ele seja o Primogénito
de muitos irmãos. E àqueles que predestinou, também os chamou;
àqueles que chamou, também os justificou; e àqueles que justificou, também os glorificou.


- Todo o homem nasce ferido pelo pecado dos nossos primeiros pais, realidade que o marca e condiciona (cf. Rom 1,18-3,20); contudo, Deus misericordioso, por Cristo, no Espírito Santo, oferece a possibilidade de salvação (cf. Rom 3,21-4,25); no texto que nos é proposto como 2ª leitura, Paulo refere que essa oferta de Deus (a salvação) não é circunstancial… está, desde sempre, inscrita nos Seus desígnios.

- A esperança de sermos salvos é firmíssima porque temos em nós o Espírito Santo que vem em socorro da nossa fraqueza. É verdade que Paulo admite, noutras passagens das suas epístolas, a possibilidade de os homens não se salvarem. Se, porventura, isso suceder, não é por falha de Deus, “que concorre em tudo para o bem daqueles que O amam”; mas por uma opção deliberada e estulta do homem resgatado.

- Na segunda parte do trecho (vv. 29-30), Paulo elenca as etapas do caminho que leva à salvação: a predestinação eterna, ou seja, Deus nos elegeu para sermos filhos; depois o chamamento à aceitação do Evangelho que é anunciado; a justificação, ou seja, a capacidade dada pelo batismo para vivermos como filhos; por fim, a glorificação, o momento em que a nova condição de filhos de Deus se manifesta.


EVANGELHO - Mateus 13,44-52


"O reino dos Céus é semelhante a um tesouro escondido num campo.
O homem […] ficou tão contente que foi vender tudo quanto possuía e comprou aquele campo.
O reino dos Céus é semelhante a um negociante que procura pérolas preciosas.
Ao encontrar uma de grande valor, foi vender tudo quanto possuía e comprou essa pérola.
O reino dos Céus é semelhante a uma rede que, lançada ao mar, […] Logo que se enche, puxam-na
para a praia e, sentando-se, escolhem os bons para os cestos e o que não presta deitam-no fora.
[…] Entendestes tudo isto?" Eles responderam-Lhe: "Entendemos". Disse-lhes então Jesus:
"Por isso, todo o escriba instruído sobre o reino dos Céus é semelhante a um pai de família
que tira do seu tesouro coisas novas e coisas velhas".


- Chegamos ao final do “discurso” das parábolas. Jesus termina o Seu ensinamento em 7 parábolas, com as que escutámos hoje: a do o tesouro escondido (vv 44), a da pérola preciosa (vv 45-46) e a da rede (vv47-52), que introduzem ainda mais os ouvintes nos mistérios do Reino dos Céus. Já reparámos que o “Reino de Deus” é sempre designado, no Evangelho de Mateus, por “Reinos dos Céus”. Fá-lo porque aqueles para quem escreve provêm do judaísmo e os judeus, por respeito, não pronunciam o santo Nome de Deus.

- As duas primeiras parábolas, a do tesouro escondido e a da pérola preciosa, são semelhantes na estrutura e na mensagem… Aquele que procura encontra algo que, tanto pelo seu valor, como pela imprevisibilidade com que surge, ultrapassa as melhores expetativas. A pérola de valor único, o tesouro escondido, é Jesus! Ele é o tesouro “escondido” em Deus e agora acessível à humanidade. Os que procuram, encontram-n’O.

- Em ambas as parábolas, a tónica recai na determinação: «foi vender tudo quanto possuía e comprou»… A parábola da “rede”, apela ao discernimento: eliminar o lixo: preservar o que é bom, as coisas novas e as velhas, isto é, a Lei e os Evangelhos, tesouros do mesmo Dono que, acolhidos, moldam o discípulo.


Rezar a Palavra


Pai Santo, cheio de paciência e rico de misericórdia, Vós me predestinastes a ser filho no Filho. Não só a mim… é dom gratuito para todos aqueles que acolhem o projeto de salvação revelado por Jesus. Como criança deslumbrada, ouvi Paulo narrar a história verdadeira do amor de Deus a acontecer na minha vida: desde sempre conhecido, já fui predestinado, justificado e glorificado… Dou-Vos graças, Senhor! Amem.


Cónego Armando Duarte
26 de julho de 2026

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