Santa Filomena em Portugal

Palavra Dominical - Partilha do Diretor Espiritual

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18º Domingo do Tempo Comum – Ano A 2026


Ideia principal: Deus está atento às necessidades do povo faminto, e intervém; Ele nos convida para nos sentarmos à mesa onde nos servirá, gratuitamente, o alimento que preparou para saciar a nossa fome de vida em abundância e de felicidade sem fim. Por esse Amor, Deus enviou ao mundo o Seu próprio Filho; por aquilo que Ele fez por nós, temos acesso ao banquete da vida eterna. Alguma criatura ou circunstância nos poderá separar de um Amor assim?


LEITURA I – Profecia de Isaías 55,1-3


Eis o que diz o Senhor: “Todos vós que tendes sede, vinde à nascente das águas. Vós que não tendes dinheiro, vinde, comprai e comei. Vinde e comprai, sem dinheiro e sem despesa, vinho e leite. […].


- O texto que nos é proposto, são as últimas palavras do “livro da consolação” do Deutero-Isaías, um profeta anónimo cuja mensagem nos é oferecida nos capítulos 40-55 do Livro de Isaías. Na parte final do exílio na Babilónia, que terminou em 539 a.C., o profeta esforça-se por “consolar” os exilados, anunciando-lhes a libertação iminente, o regresso à Terra (cf. Is 40-48) e a reconstrução de Jerusalém (cf. Is 49-55).

- A imagem é a de um convite para uma refeição. No Antigo Testamento, Deus alimenta e suporta o Seu Povo (cf Ex 16; 2 Rs 4,42-44); Isaías, para anunciar reunião de todos os povos no fim dos tempos, fala de um copioso banquete (Is 25,6ss). Este convite é dirigido aos pobres, desprovidos de tudo: têm sede, não têm dinheiro, foram enganados: despenderam desnecessariamente o seu dinheiro; estão fatigados.

- O apelo à esperança – “vinde, comprai e comei (v. 1) – encoraja o homem insatisfeito, desiludido, desencorajado. Este convite é gratuito: os convidados, ao contrário daquilo que até aqui sucedia, vão ser saciados sem qualquer despesa. É um convite que implica uma resposta sem hesitações à gratuidade de Deus. É um convite na continuidade da aliance selada com David, mas que a ultrapassa largamente.


LEITURA II – Epístola de São Paulo aos Romanos 8, 35.37-39


Quem poderá separar-nos do amor de Cristo? A tribulação, a angústia, a perseguição, a fome, a nudez,
o perigo ou a espada? […] Na verdade, eu estou certo de que nem a morte nem a vida, […] nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que se manifestou em Cristo Jesus….


- Terminamos hoje o capítulo VIII da Carta aos Romanos que nos ocupa há alguns domingos; constitui o âmago do ensino doutrinal da epístola, naturalmente, um ponto alto do pensamento paulino. Depois de expor a realidade da nossa libertação em Cristo e da vida no Espírito, garantia da nossa filiação divina e da salvação, o Apóstolo irrompe num impressionante hino, um apaixonado e vibrante cântico de vitória.

- São Paulo enumera sete dificuldades que podem retardar a renúncia à vida do egoísmo e do pecado – a vida “segundo a carne” – para ascender à situação de “filhos de Deus” – a vida “segundo o Espírito”: “a tribulação, a angústia, a perseguição, a fome, a nudez, o perigo, a espada”. Como enumeraria, cada um de nós, nos nossos dias, as dificuldades que põem em perigo a adesão a Cristo? Fica lançado o desafio…

- Apesar dos mil desafios que, dia a dia, se põem ao crente que segue o caminho de Jesus, o cristão pode e deve confiar no êxito final. Porquê? “Nada poderá separar-nos do amor de Cristo”; “Se Deus é por nós, quem será contra nós”? Nada nem ninguém pode derrotar aquele que é objeto do amor imenso e imortal de Deus. É esta realidade única e sublime que dá firmeza inabalável à esperança cristã.


EVANGELHO – Mateus 14,13-21


Ao cair da tarde, os discípulos aproximaram-se de Jesus e disseram-Lhe: “Este local é deserto
e a hora avançada. Manda embora toda esta gente, para que vá às aldeias comprar alimento”.
Mas Jesus respondeu-lhes: “Não precisam de se ir embora; dai-lhes vós de comer”.
Disseram-Lhe eles: “Não temos aqui senão cinco pães e dois peixes”.
Disse Jesus: “Trazei-mos cá”. […] Tomou os cinco pães e os dois peixes, ergueu os olhos ao Céu
e recitou a bênção. Depois partiu os pães e deu-os aos discípulos e os discípulos
deram-nos à multidão. Todos comeram e ficaram saciados. […].


- Depois do Sermão da Montanha, do Discurso Missionário e do Discurso das Parábolas do Reino, que terminámos no passado domingo, chegámos ao capítulo 13 do Evangelho segundo Mateus, início de uma longa secção que poderíamos intitular “instrução sobre o Reino” (cf. Mt 13,1-17,27).

- Os evangelistas foram influenciados não apenas por aquilo que Deus fez no deserto, em favor do Seu povo esfomeado, mas também pela multiplicação dos pães por Eliseu (cf 2 Rs 4, 42-44), embora o profeta tenha feito o milagre numa época de muita fome, enquanto Jesus multiplicou os pães apenas evitar que a multidão fosse apanhada desprevenida (v.15). Jesus tem a iniciativa: atrai as multidões que O seguiam, desafia os Apóstolos, aceitou os cinco pães e os dois peixes (v.17), fez o milagre a partir daquilo que havia e, o que passou a haver, confiou-O aos apóstolos para que eles dessem continuidade ao que Ele próprio tinha feito.

- É curioso notar, no relato, as afinidades notáveis com os gestos de Jesus na instituição da Eucaristia: “ergueu os olhos so Céu”, “recitou a bênção”, “partiu os pães” e “deu-os”… São gestos familiares aos cristãos das comunidades que, desde o início, celebravam a Eucaristia.


Rezar a Palavra


Senhor, minha força e meu protetor…quantas circunstâncias podem esmorecer a minha fé… aquelas que São Paulo aponta, e outras… o medo de perder oportunidades de sucesso mundano; o abatimento quando me dou conta das minhas próprias fraquezas e incoerências; os respeitos humanos, por recear ser rejeitado pelos outros… Mas a Palavra grita-me: “Não receies, Eu amo-te!”. Dou-Vos graças, Senhor. Amem!


Cónego Armando Duarte
2 de agosto de 2026

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