19º Domingo do Tempo Comum – Ano A 2026
Ideia principal: Em Jesus, o Deus do amor e da comunhão vem ao nosso encontro para que O reconheçamos e O acolhamos como “o Senhor” da História e “o Senhor” da nossa vida. Com a docilidade da brisa suave oferece a Salvação e, para que a oportunidade não nos escape, exorta-nos à confiança: «Tende confiança. Sou Eu. Não temais». Estende-nos a mão para que nos apoiemos n’Ele.
LEITURA I – 1º Livro dos Reis 19,9a.11-13ª
O profeta Elias chegou ao monte de Deus, o Horeb, e passou a noite numa gruta.
O Senhor dirigiu-lhe a palavra, dizendo: Sai e permanece no monte à espera do Senhor».
Então, o Senhor passou… […] ouviu-se uma ligeira brisa.
Quando o ouviu, Elias cobriu o rosto com o manto, saiu e ficou à entrada da gruta.
- O episódio passa-se no Reino do Norte, no reinado de Acab (873-853 a.C.). Para facilitar o intercâmbio com os países da região, e influenciado por sua mulher, Jezabel, filha do rei de Tiro, liberaliza o culto aos deuses pagãos, e, ele próprio, erige altares a Baal e Asserá, deuses pagãos a quem presta culto. Levanta-se o Profeta Elias, como muito outros israelitas, recusando que seja posta em causa a fé monoteísta e Jahwéh.
- Elias ataca vigorosamente os sacerdotes de Baal, o que provoca a cólera de Jezabel. O profeta retira-se para o deserto e caminha 40 dias e 40 noites até ao monte Horeb. Refugia-se numa gruta, a mesma onde Deus Se terá encontrado com Moisés. Regressado à fonte da fé e da fidelidade, Elias é convidado a aguardar a passagem de Deus. Jahwéh manifesta-se na “ligeira brisa”. Elias reconhece-O e tapa o rosto.
- Ao contrário de outras teofanias relatadas no AT, e nalgumas passagens escatológicas do NT, Deus não Se revela através dos elementos impetuosos da natureza… aquela “ligeira brisa” é o sinal da calma apaziguadora do encontro. Deus permanece invisível… mas está! E o profeta, mesmo de rosto coberto, dá-se conta da Sua presença, escuta-O, fala com Ele; sente-se confirmado na missão que recebeu de Deus.
LEITURA II – Epístola de São Paulo aos Romanos 9, 1-5
[…] Sinto uma grande tristeza e uma dor contínua no meu coração.
Quisera eu próprio ser separado de Cristo por amor dos meus irmãos,
que são do mesmo sangue que eu, que são israelitas, […]
- Através trechos selecionados, seguimos, há 10 domingos, a catequese de S. Paulo sobre a salvação: apesar do pecado que atinge todos os homens e, também, a criação, Deus, na Sua bondade, oferece gratuitamente a todos os homens, através de Jesus Cristo, a salvação. É estranho que a maior parte dos judeus, primeiros destinatários da salvação, a tenham rejeitado… Como explicar esta oportunidade não aproveitada?
- Paulo desabafa a sua tristeza pelo facto dos seus irmãos de raça se excluírem da salvação messiânica. Aceitaria até ser “anátema”, ou seja, ser separado de Cristo, se essa fosse a condição para Israel aceitar salvação que Deus lhe oferece. Trata-se, claro, de uma força de expressão… através dela, o Apóstolo manifesta a sua disposição de suportar os maiores sacrifícios para alcançar a salvação do seu povo.
- A verdade é que já haviam passado 30 anos desde a morte e ressurreição de Jesus e nada mudou na atitude daquele povo, do qual nasceu Cristo. No meio da sua tristeza, um pensamento consola Paulo: as promessas de Deus são irrevogáveis, e se Ele permitiu o endurecimento do coração de Israel, só pode ser para manifestar a grandeza da Sua misericórdia… A história de Israel - e a nossa - terão um final feliz!!!
EVANGELHO - São Mateus 14,22-33
Depois de ter saciado a fome à multidão, Jesus obrigou os discípulos a subir para o barco
e a esperá-l'O na outra margem, enquanto Ele despedia a multidão. Logo que a despediu,
subiu a um monte, para orar a sós.
[…] Na quarta vigília da noite, Jesus foi ter com eles, caminhando sobre o mar.
[…] «Tende confiança. Sou Eu. Não temais».
Respondeu-Lhe Pedro: «Se és Tu, Senhor, manda-me ir ter contigo sobre as águas».
«Vem!» - disse Jesus. Então, Pedro desceu do barco e caminhou sobre as águas, para ir ter com Jesus.
Mas, sentindo a violência do vento e começando a afundar-se, gritou: «Salva-me, Senhor!»
Jesus estendeu-lhe logo a mão e segurou-o. Depois disse-lhe: «Homem de pouca fé, porque duvidaste?»
Logo que saíram para o barco, o ventou amainou. Então, os que estavam no barco prostraram-se
diante de Jesus, e disseram-Lhe: «Tu és verdadeiramente o Filho de Deus».
- Depois de despedir a multidão e de obrigar os discípulos a embarcar para a outra margem, Jesus "subiu a um monte para orar a sós". Enquanto Jesus está em diálogo com o Pai, os discípulos estão sozinhos. A "noite" representa as trevas, a confusão, a insegurança… As "ondas" que açoitam o barco representam a hostilidade do mundo… Os "ventos contrários", representam a resistência do mundo ao projeto de Jesus…
- É então que Jesus manifesta a Sua presença, fazendo aquilo que só Deus pode fazer: "caminha sobre o mar"; acalma as ondas e as tempestades; Jesus é, portanto, o Deus que cuida do seu Povo, não permitindo que as forças da morte o destruam. Este milagre proporciona o crescimento da fé dos discípulos.
- Quando Jesus Se aproxima e Se dá a conhecer, Mateus narra uma cena que não é apresentada por nenhum outro evangelista: o diálogo entre Pedro e Jesus (vv. 28-33). Terá Pedro reconhecido o Senhor, ou pretende um sinal da Sua presença? Avança de rompante, mas rapidamente se acobarda e se afunda. Tal e qual como na Paixão…Quando Pedro e os outros, no barco, se encontram Jesus, surge a profissão de fé: Prostraram-se e disseram-Lhe: «Tu és verdadeiramente o Filho de Deus».
Rezar a Palavra
Oh Jesus, Vós sois Deus, Vós venceis o mar e susteis o vento impetuoso! Vós sois o Senhor da vida e da história… caminhais comigo não permitindo que me afunde. Porém, Senhor, quando surge o tempo da prova, das dificuldades, da perseguição, logo me deixo abalar… Dai-me uma fé valente, não permitais que a tibieza e o medo me façam vacilar. Estendei-me a vossa mão e suportai-me! Jesus, eu Vos adoro! Amem.
Cónego Armando Duarte
9 de agosto de 2026